Mário Covas, ex-governador de São Paulo por sua filha Renata Covas Lopes, advogada.
Certa vez, num exame geral de rotina, o médico desconfiou que meu pai tinha alguma coisa grave. Isso foi logo após a campanha eleitoral de 1998. Então, depois que soube que ele tinha um tumor maligno, descobri o quanto é difícil assumir essa doença. E uma das coisas mais complicadas é conversar com o doente sobre o câncer e passar por situações muito ruins, claro. Ele teve que fazer quimioterapia, por exemplo, e foi uma coisa absolutamente violenta, horrível, doloridíssima para ele e para nós que acompanhamos.
Um detalhe: meu pai não teve nenhum sintoma, não sentia absolutamente nada. Daí a importância dos exames preventivos. Em outubro de 2000, dois anos depois do primeiro diagnóstico, descobrimos que o intestino dele já estava tomado pelo tumor. Então, ele foi para o centro cirúrgico de novo, colocou aquela colostomia, mas daí em diante só piorou.
E tem outras coisas muito duras no meio dessa história. Meu pai tinha muita vontade de fumar, muita vontade mesmo. E naquele momento, quando já estava muito doente, também não ia fazer mais tanta diferença se ele desse uma tragadinha num cigarro. Mas como é que você chega para o seu pai que está com câncer e diz: "Vai, pai, pode fumar um pouquinho, vai." Não tem como fazer isso, até porque, dessa forma, você vai estar assumindo, para ele mesmo, que não tem mais jeito. E isso não deve ser feito nunca.
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