Patrícia Pillar. atriz
Minha história começou assim: um dia, fazendo um auto-exame nada minucioso durante o banho, senti que havia alguma coisa errada. Pouco tempo antes, eu tinha acabado de fazer uma mamografia anual de rotina, que não tinha acusado nada. Então, corri para o meu ginecologista e ele mandou que eu fizesse uma nova mamografia. E, mais uma vez, não deu nada no exame. O médico então me pediu um exame de ultra-som. Afinal, realmente havia alguma coisa errada no meu seio, e era palpável. Fiz o ultra-som no mesmo local onde fora feita a mamografia, e aí apareceu o tumor. Depois, fiquei sabendo que 10% dos casos de câncer não são detectados na mamografia, mesmo quando já são palpáveis.
Até chegar ao médico e ter conhecimento do que eu tinha realmente foi o pior momento para mim. Porque, quando soube que era câncer, eu já imaginava o tamanho do problema que ia enfrentar. Não saber o que era, em que estágio estava, me angustiou mais do que quando soube que era câncer. Quando não sabemos o que temos, o problema se toma infinito. O desconhecido, nesse caso, é mesmo a pior coisa.
Em meio a tudo isso, tive muito apoio do meu marido, do meu pai, da minha mãe, da minha irmã, das pessoas que trabalham aqui na minha casa, da minha empresária e amiga Jaquie, dos meus amigos, enfim, de todos aqueles mais próximos. Esse apoio facilitou bastante as coisas para mim. Há muitos maridos que abandonam as mulheres numa situação dessas porque não suportam encarar esse problema. Do mesmo modo que não suportam quando a mulher tem um filho. Às vezes, não é nem por falta de amor que um homem abandona sua mulher, é mesmo por falta de estrutura emocional, por incapacidade de lidar com a situação. Nesse aspecto há o abandono de quem sai de casa e vai embora, e há o abandono de quem, sem sair de casa, não dá apoio algum.
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